Notas e cuidados

O seu compostor não precisa de muitos cuidados. A única coisa que deve verificar com alguma frequência é o arejamento e a humidade da pilha de materiais.

O oxigénio e a água são os fatores do sucesso dos processos metabólicos que decorrem durante a compostagem. Para medir a humidade pode fazer o teste simples que lhe descrevemos aqui.

Se a pilha estiver muito seca, adicione água. Se estiver húmida junte papel, palha ou folhas secas.

Durante o processo natural de decomposição da matéria orgânica, feito por bactérias, fungos e inúmeros invertebrados, durante a fase média, a temperatura na pilha de compostagem pode chegar até aos 70ºC. Por isso se fizer o teste da humidade não se surpreenda com a temperatura. O revolvimento dos materiais da pilha (por exemplo com o auxílio de uma forquilha) é um método muito eficaz de arejamento e deverá ser realizado uma vez por semana, dependendo da sua pilha de compostagem.

Se quiser aumentar a garantia do sucesso do seu processo pode medir a temperatura de forma regular (numa fase inicial dia sim dia não e à medida que domina melhor o processo vai ver que só irá necessitar de medir periodicamente) utilizando um termómetro de compostagem. O valor médio ideal rondará os 50/55ºC.

Agora que já leu tudo o que lhe transmitimos anteriormente e tendo a certeza que se recorda do que são os verdes e os castanhos e que percebeu bem a forma mais aconselhável de formar a sua pilha, está na altura de passar às dúvidas e questões!

Perguntas, dúvidas e problemas frequentes

  • O meu compostor está a cheirar mal.

Se a sua pilha de compostagem tiver o arejamento adequado não deverá sentir cheiros desagradáveis. Se lhe cheirar a amónia ou a ovos podres, então junte folhas secas, areje e misture palha, bocados de papel e misture. Pode também ter colocado muitas aparas de relva…

  • A pilha de compostagem está muito seca.

Então deve regá-la, revolvendo o interior. Não se esqueça que deve fazer regularmente o teste da esponja.

  • A pilha tem humidade suficiente mas não se está a decompor e não aquece

Assumindo que fez o teste da esponja e tem uma pilha com a humidade necessária, aconselhamos que tenha sempre à mão uma boa diversidade de verdes e castanhos e que os misture, logo depois de os ter colocado na pilha alternadamente e na proporção que referimos anteriormente.

Se a sua pilha tem uma grande quantidade de castanhos antigos experimente adicionar verdes (idealmente estrume, aparas frescas de relva para esta situação).

A sua pilha possivelmente pode não ter a dimensão adequada: 1m3 será o tamanho mínimo para que comece a acontecer a decomposição. Uma ação que pode também executar é a de tapar o seu compostor durante um período de tempo para diminuir a perda de calor e ir verificando se está a resultar. Ou então tentar movê-lo para um local mais solarengo.

Contudo se a sua pilha não atingir a temperatura considerada ideal, os cerca de 50º/55ºC que lhe referimos, não é motivo para preocupação pois a compostagem a temperaturas mais baixas também acontece!

  • Quando devo revolver a pilha.

A necessidade de revolvimento depende de vários fatores sendo por isso difícil fixar uma periodicidade exata, contudo num processo a decorrer normalmente bastará fazê-lo uma vez por semana. Mas vá avaliando o comportamento e ajustando conforme o tipo de problema detetado.

  • Estão a aparecer minhocas, bichos da conta, caracóis em volta e dentro do compostor.

Fantástico. Com estes bichos é sinal que tudo está a correr normalmente.

  • Estou a começar a ter moscas e ratos no meu compostor.

Em primeiro lugar deve ter a certeza que ninguém colocou na pilha restos de carne ou peixe ou até excrementos de cães e gatos. São materiais proibidos na compostagem! Cubra a sua pilha com materiais castanhos como por exemplo folhas secas, palha ou serradura. Sempre que for colocar materiais no compostor não se esqueça de terminar com uma camada de castanhos.

  • Tenho muitos materiais verdes e poucos castanhos.

É aconselhável armazenar e usá-los quando for necessário. Alguns deles podem ser deixados ao ar e depois usar como castanhos (exemplo: aparas de relva, restos folhas e poda de plantas). Pode juntar algum cartão e papelão ou guardanapos de papel, sem se esquecer de os cortar em pequenas dimensões (3 a 7 cm). Pode sempre pedir ao vizinho as folhas secas do jardim, ramos de árvores ou aparas de madeira por exemplo.

  • Tenho muitos materiais castanhos e poucos verdes.

Tente arranjar restos de cozinha dos seus vizinhos, vai ver que eles até lhe vão agradecer! Lembre-se que as aparas de relva, flores, borras de café, saquinhos de chã, migalhas de pão, cereais, restos de arroz ou massa cozidos apenas em água também podem ser colocados na pilha para além dos restos de vegetais crus, cascas de fruta, cascas de ovos…

  • Não sei onde colocar o meu compostor.

Aconselhamos a escolha de um local de fácil acesso para si e onde goste de ver o compostor integrado no seu jardim. O local ideal é debaixo de uma árvore de folha caduca e em zonas do país com clima mais seco e quente será mesmo importante pois dará sombra durante o dia e evitará a secagem e o arrefecimento do composto. Se viver numa zona do país onde chova com frequência então talvez seja conveniente cobrir o compostor com um plástico por exemplo para que não entre muita água para dentro da pilha e atrase a decomposição.

Sugerimos que espreite aqui para ver mais algumas sugestões.

  • O processo de decomposição é muito lento.

Quanto tempo passou desde que começou a fazer a compostagem? Não se esqueça que o tempo médio de decomposição ronda os 6-7 meses (apesar de ser possível obter composto em 3 meses) por isso deve primeiro saber há quanto tempo começou.

Talvez os materiais que esteja a adicionar sejam demasiado grandes ou esteja a colocar muitos castanhos. É importante alternar devidamente os verdes e os castanhos, assim como cortar os materiais numa dimensão pequena. E não se esqueça de revolver periodicamente a pilha para que eles se misturem e entre oxigénio.

  • Tenho muitas aparas de relva.

Os restos do corte de relva e folhas são resíduos verdes que se acumulam rapidamente quanto temos um jardim, contudo não é conveniente colocar grandes quantidades dentro do compostor. O ideal é guardá-los para que sequem podendo, depois de secos, ser usados como castanhos na pilha de compostagem ou na cobertura do solo.

  • Tenho raízes de heras e silvas em grande quantidade.

As plantas “infestantes”, que se propagam com muita facilidade exigem cuidados extra. Deve primeiro deixar as plantas secar ao sol e só depois colocá-las no compostor. Um outro bom exemplo de uma planta a ter cuidado é a beldroega.

  • O meu vizinho deu-me restos da poda de plantas e árvores, mas eu acho que ele usa produtos químicos na horta.

Não utilize esses materiais. Ainda que alguns fertilizantes ou pesticidas químicos se possam tornar inofensivos outros não. Por outro lado está a praticar a valorização orgânica e o cultivo biológico por isso não quer químicos no seu adubo natural!

  • Não sei se estou a cortar os meus resíduos na dimensão aconselhável

Poderíamos dizer-lhe para triturar todos os seus resíduos orgânicos, mas não é necessário ter esse trabalho. A dimensão adequada será entre os 3 e os 7 cm.

  • Não sei se posso ir adicionando os resíduos à medida que vou tendo disponibilidade.

Pode adicionar os resíduos todos de uma só vez ou sempre que os tiver disponíveis, mas a regra que deve respeitar é a mesma proporção de verdes e castanhos, alternando as camadas e terminando sempre com uma camada de castanhos.

Veja aqui o resumo de alguns dos problemas mais frequentes quando se faz a compostagem e assim como algumas das soluções. Guarde para que o tenha sempre à mão!

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Visite também este artigo onde partilhamos vários vídeos dedicados à compostagem, aqui. Ou a nossa secção de links úteis.